Imagine a cena: em plena manhã, com a equipe de vendas em negociação, a internet da empresa simplesmente para. O e-mail não envia, as videochamadas caem e, em minutos, a produtividade despenca. Você sabe exatamente o que isso significa: prejuízo.
E o valor é alto. Segundo a consultoria Gartner, o custo médio de um downtime de TI para empresas pode chegar a US$ 5.600 por minuto. Para 98% das organizações, uma única hora de inatividade pode custar mais de US$ 100.000. Esses números impressionam, mas a boa notícia é que esse tipo de prejuízo pode ser evitado.
A solução? Uma infraestrutura de rede resiliente, e o primeiro passo para construí-la é o failover de link.
O que é o Failover de Link com Mikrotik?
O failover de link é uma estratégia de redundância que garante a continuidade da conexão à internet da sua empresa. Em termos simples, ele funciona como um “plano B” automático: se sua conexão principal com a internet falhar, a rede assume uma segunda conexão de forma imediata e transparente.
Isso significa que, mesmo com a queda de um provedor de internet, sua equipe continua trabalhando e suas operações online seguem funcionando, sem interrupções.
Como Implementar um Failover com MikroTik
Para quem trabalha com infraestrutura, o MikroTik é a ferramenta perfeita para criar um failover de link robusto. O processo é direto e se baseia na configuração de rotas e monitoramento:
- Múltiplos Provedores: Certifique-se de ter duas (ou mais) conexões de internet de provedores diferentes. Essa diversidade é a base da redundância.
- Configuração de Rotas: Você criará rotas para cada provedor. A rota da conexão principal terá uma distância (prioridade) menor. A rota da conexão secundária terá uma distância maior, ou seja, ela só será ativada se a principal estiver indisponível.
- Monitoramento Ativo: O segredo do failover está no comando
check-gateway=ping
. O MikroTik monitora constantemente a rota principal. Se o ping falhar, o sistema desativa a rota primária e automaticamente ativa a rota secundária com a maior prioridade. Assim que o link principal é restabelecido, o MikroTik volta a utilizá-lo.
Essa automação é o que garante que a transição ocorra sem a necessidade de intervenção humana, protegendo sua operação contra imprevistos.
Tutorial de Failover na MikroTik
Como Implementar um Failover com MikroTik: Tutorial Real
Para quem trabalha com infraestrutura, o MikroTik é a ferramenta perfeita para criar um failover de link robusto. O processo é direto e se baseia na configuração de rotas e monitoramento. Abaixo, um passo a passo para configurar o failover usando a linha de comando (CLI):
Passo 1: Identifique os Gateways Primeiro, você precisa saber os IPs dos gateways de cada provedor de internet.
- Gateway do Link 1 (Principal):
192.168.10.1
(Exemplo) - Gateway do Link 2 (Secundário):
192.168.20.1
(Exemplo)
Passo 2: Configure as Rotas Você vai adicionar duas rotas-padrão (default routes) no MikroTik, uma para cada link. A mágica do failover está na distance
(distância), que define a prioridade da rota.
- Adicione a Rota Principal: Daremos a ela uma
distance
menor (ex: 1), indicando alta prioridade. Usamos o parâmetrocheck-gateway=ping
para monitorar a conexão./ip route add gateway=192.168.10.1 distance=1 check-gateway=ping
- Adicione a Rota Secundária: Daremos a ela uma
distance
maior (ex: 2), que a mantém em “stand-by”./ip route add gateway=192.168.20.1 distance=2 check-gateway=ping
Passo 3: Verifique a Tabela de Rotas A tabela de rotas (/ip route print
) deve mostrar as duas rotas criadas. A rota principal estará ativa (active, connected
), e a secundária ficará inativa, pronta para ser ativada.
Passo 4: Como o Failover Funciona na Prática
- O MikroTik monitora o gateway do Link 1 com pings constantes.
- Se o ping falhar (indicando que a conexão principal caiu), o MikroTik desativa a rota com
distance=1
. - Automaticamente, a rota com
distance=2
se torna a rota ativa, e todo o tráfego da empresa passa a usar o Link 2. - Assim que o Link 1 voltar a funcionar, o MikroTik irá reativá-lo, fazendo a transição de volta para a rota principal.
Essa automação é o que garante que a transição ocorra sem a necessidade de intervenção humana, protegendo sua operação contra imprevistos.
A Resiliência de Rede é Apenas o Começo
Garantir que a sua empresa não perca a conexão é um passo gigante em direção a uma infraestrutura de TI mais segura e resiliente. No entanto, o downtime de rede é apenas um dos riscos. E se a falha for no seu servidor de dados? E se um ataque de ransomware comprometer suas informações?
Uma infraestrutura verdadeiramente resiliente não se resume a links de internet. Ela exige que seus dados estejam igualmente protegidos, com uma estratégia de backup que garanta a rápida recuperação em qualquer cenário de desastre.
No próximo artigo, vamos aprofundar em como escolher a melhor estratégia de balanceamento de carga para sua rede, garantindo que o seu ambiente de TI seja capaz de lidar com picos de tráfego sem comprometer a sua operação.